Filosofando sobre o contexto das coisas
Nada escapa ao seu contexto. Talvez não compreendamos algo com toda exatidão, mas entenderemos melhor as coisas se analisarmos também o contexto no qual elas estão inseridas, as circunstâncias que as interrelacionam com o mundo à sua volta.
Frases geniais
A proposta deste post é agregar, periodicamente, algumas frases sublimes de pensadores e luminares da humanidade, para que possam servir de objeto à reflexão e de norte para ela própria. Afinal, se de filósofo e louco, todos temos um pouco, então porque não aprendermos mais com a “experiência humana no mundo” sob os diferentes pontos de vista. Um pensamento, um olhar, um gesto, uma simples presença, são capazes de ampliar ainda mais a nossa consciência.
“Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo.” Mahatma Gandhi.
“Elegância é tudo aquilo que é belo, seja no direito seja no avesso.” Gabrielle Chanel.
“O progresso do homem não é mais do que uma descoberta gradual de que as suas perguntas não têm significado.” Saint-Exupéry.
“Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo.” Henry Ford.
“Morre lentamente quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.” Pablo Neruda.
“… quando explicamos a poesia ela torna-se banal. Melhor do que qualquer explicação é a experiência direta das emoções, que a poesia revela a uma alma predisposta a compreendê-la. “II Postino (O Carteiro de Pablo Neruda).
“Vê mais longe a gaivota que voa mais alto.” Richard Bach (Fernão Capelo Gaivota).
“O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Fernando Pessoa.
“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” Mário Quintana.
“Aonde eu não estou as palavras me acham.” Manoel de Barros.
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” Saint-Exupéry.
“Todos nós nascemos originais e morremos cópias.” Carl Jung.
“Os animais são meus amigos e eu não como meus amigos.“ George Bernard Shaw.
“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”. Jean Cocteau, artista francês.
“Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta.” Carl Young.
“O fracasso é uma excelente oportunidade para o sucesso.” (Autor desconhecido).
“Os nossos maiores inimigos existem dentro de nós mesmos: são os nossos erros, vícios e paixões.” Marquês de Maricá.
“A fórmula mágica da felicidade talvez esteja em respeitarmos a diversidade”. DeRose.
“Iguais, mas diferentes.” Desmond Morris.
“Grande parte da vitalidade de uma amizade reside no respeito pelas diferenças, e não apenas em desfrutar das semelhanças.” James Fredericks.
“Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias.” Fernando Pessoa.
“Nunca discuta com um idiota, ele te rebaixa ao nível dele e te vence pela experiência.” (Autor desconhecido).
“Daria tudo que sei em troca da metade do que ignoro”. Descartes.
“Gastronomia é comer olhando pro céu.” Millôr Fernandes.
“Os grandes artistas são aqueles que impõem à humanidade a sua ilusão particular.” Guy de Maupassant.
“Não importa como você começa e sim como você termina.” Autor desconhecido.
“Aquele que tem um ‘porquê’ para viver pode suportar qualquer ‘como’.” Friedrich Nietzsche.
“Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.” Leon Tolstoi.
“Concessões e facilidades debilitam o homem e enfraquecem a vontade.” DeRose.
“Você não poderá resolver os problemas que tem hoje pensando da mesma maneira que você pensava quando os provocou”. Albert Einstein.
“Irei até onde o ar termina. Irei até onde a grande ventania se solta uivando. Irei até onde o vácuo faz uma curva. Irei onde meu fôlego me levar”. Clarice Lispector.
“O ego é dotado de um poder, de uma força criativa, conquista tardia da humanidade, a que chamamos vontade.” Carl Jung.
“Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Antoine-Laurent de Lavoisier.
“Eu aprendi com as primaveras a me deixar cortar e a renascer, sempre inteira.” Cecília Meireles.
“Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, isso não me dispensa de percorrer os caminhos do mundo.” José Saramago.
“Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo.” Guimarães Rosa.
“Obstáculos são aquelas coisas assustadoras que você vê quando desvia seus olhos de sua meta.” Henry Ford.
“Estamos ligados aos nossos atos como um fósforo à sua chama.” André Gide.
“Dê o seu máximo e aceite o que dele vier.” Fábio Euksuzian.
“Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez.” (Autor desconhecido).
“As pessoas e as circunstâncias ao meu redor não fazem de mim o que eu sou, elas revelam quem eu sou”. Laura Schlessinger.
“Todos somos responsáveis de tudo, perante todos.” Fiódor Mikhailovich Dostoiévski.
“Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a razão, seja quem for o seu procurador.” Fernando Pessoa.
“Se Deus não existe, então tudo é permitido.” Fiódor Mikhailovich Dostoiévski.
“A convicção de que há só uma verdade, e que a si mesmo está em posse dela, é a raiz de todo o mal no mundo.” Max Born.
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” Clarice Lispector.
“Poesia é voar fora da asa.” Manoel de Barros.
“Nunca se explique. Seus amigos não precisam e seus inimigos não vão acreditar.” Elbert Hubbard.
“A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me, ela se afasta. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano.
“Do lugar onde estou já fui embora.” Manoel de Barros.
“O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos.” Lao Tsé.
“Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” Jean-Paul Sartre.
“Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para dentro de você.” Friedrich Wilhelm Nietzsche.
“Se um homem tiver realmente muita fé, pode dar-se ao luxo de ser cético.” Friedrich Wilhelm Nietzsche.
“Obstáculos e dificuldades fazem parte da vida. E a vida é a arte de superá-los.” DeRose.
“A vida mais doce é não pensar em nada.” Friedrich Wilhelm Nietzsche.
“Quanto mais se golpeia um gongo, maior será a quantidade de pessoas que o escutam.” DeRose.
“Uma mente que se abre a uma nova idéia nunca mais volta a seu tamanho original”. Albert Einstein.
“Conheças todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” Carl Gustav Jung.
“O homem não é nada mais do que aquilo que faz a si próprio.” Jean Paul Sartre.
“Não há necessidade de fogo, o inferno são os outros.” Jean Paul Sartre.
“Tudo o que está aqui, está em outro lugar; e, o que não está aqui, não está em lugar algum”. Provérbio tântrico registrado no Vishwasara Tantra.
“Quando caímos ao chão, levantamo-nos com o auxílio do chão”. Máxima tântrica.
“Sámkhya é conhecimento, Yôga é poder; aquele que possui os dois nada mais tem a conquistar sobre a Terra”. Bhagavad Gítá, V, 4,5.
“Não aceitar, nem rejeitar: não aceitar a graça como sendo divina, nem rejeitá-la porque não o seja.” Texto Sámkhya.
“Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio, e a verdade me é revelada.” Albert Einstein.
“É claro que nós cientistas usamos a intuição. Conhecemos a resposta antes de ir checá-la.” Linus Pauling.
“Felicidade ou infelicidade são efeitos ilusórios de causas relativas à condição anterior.” DeRose.
“Para cada homem há uma verdade diferente”. DeRose.
“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” Guimarães Rosa.
“No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e outras, que vão te odiar pelo mesmo motivo.” Cleverson Lopes.
“Aquilo a que você resiste, persiste.” Carl Jung.
“Se queres ser feliz amanhã, tenta hoje mesmo.” Liang Tzu.
“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.” Arnold Toynbee.
“A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação.” Carlos Drummond de Andrade.
“A natureza dos homens é a mesma. São seus hábitos que os mantêm separados.” Confúcio.
“Grandes realizações são possíveis quando se dá importância aos pequenos começos.” Lao Tse.
“As injúrias são as razões dos que não tem razão.” Jean-Jacques Rousseau.
“Irei até onde o ar termina. Irei até onde a grande ventania se solta uivando. Irei até onde o vácuo faz uma curva. Irei onde meu fôlego me levar”. Clarice Lispector.
“O homem de bem exige tudo de si próprio, o homem medíocre espera tudo dos outros.” Confúcio.
“Quando eu me despojo do que eu sou eu me torno o que eu poderia ser.” Confúcio.
“Aquilo que você é fala tão alto que não posso ouvir o que você está dizendo”. Ralph Waldo Emerson.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa.
“Para ver muita coisa é preciso despregar os olhos de si mesmo.” Friedrich Nietzsche.
“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.” Cecília Meireles.
“Longo é o caminho ensinado pela teoria, curto e eficaz, o do exemplo.” Sêneca.
“Somente a pessoa que corre riscos é livre!” Sêneca.
“O homem está condenado a ser livre.” Jean Paul Sartre.
“A vida é o que acontece enquanto estamos pensando em outra coisa.” Oscar Wilde.
“É muito tarde para ser pessimista.” Yann Arthus-Bertrand.
Algumas frases do filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche
1 – Nunca odiamos aos que desprezamos. Odiamos aos que nos parecem iguais ou superiores a nós.
2 – Não fiques nos baixios. Não subas às alturas. O mais belo mirante do mundo está no meio da encosta.
3 – Eu sou uma banheira transbordando sentimento. E não tem ninguém pra fechar a torneira.
4 – Se os esposos não vivessem juntos, haveria mais matrimônios felizes.
5 – O atrativo do conhecimento seria pequeno se no caminho que a ele conduz não houvesse que vencer tanto pudor.
6 – Se um homem tiver realmente muita fé, pode dar-se ao luxo de ser cético.
7 – Querer a verdade é confessar-se incapaz de a criar.
8 – Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em o deixar com vida.
9 – As convicções são inimigos da verdade bem mais perigosos que as mentiras.
10 – Fazer grandes coisas é difícil; mas comandar grandes coisas é ainda mais difícil.
11 – O sucesso tem sido sempre um grande mentiroso.
12 – Não é a força mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade.
13 – Não há fatos, apenas interpretações.
14 – Uma pessoa continua a trabalhar porque o trabalho é uma forma de diversão. Mas temos de ter cuidado para não deixarmos a diversão tornar-se demasiado penosa.
15 – É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil.
16 – A esperança é o pior dos males, pois prolonga o tormento do homem.
17 – Negar a Deus será a única forma de salvar o mundo.
18 – O homem parece ter mais caráter quando segue seu temperamento do que quando segue seus princípios.
19 – Não é a vida cem vezes demasiada curta para aborrecermo-nos?
20 – Nada lhe pertence mais que seus sonhos.
21 – As explicações místicas são consideradas profundas. Na verdade falta-lhes ainda muito para que sejam superficiais.
22 – A palavra mais simples e a carta mais grosseira são melhores, são mais educadas do que o silêncio.
23 – Quanta verdade um homem é capaz de suportar?
24 – O mundo real é bem menor do que o mundo da imaginação.
25 – O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo.
26 – A profissão é a espinha dorsal da vida.
27 – Mentimos com a boca, mas os gestos denunciam a verdade.
28 – Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.
29 – Não existe, na realidade, entre a religião e a ciência nem parentesco, nem amizade, nem inimizade: elas vivem em esferas diferentes.
30 – Eu também quero a volta à natureza. Mas essa volta não significa ir para trás, e sim para frente.
31 – As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.
32 – Toda a arte e toda a filosofia podem ser consideradas como remédios da vida, ajudantes do seu crescimento ou bálsamo dos combates: postulam sempre sofrimento e sofredores.
33 – Aquele que sabe mandar encontra sempre quem deva obedecer.
34 – O castigo foi feito para melhorar aquele que o aplica.
35 – Torna-te aquilo que és.
36 – O homem precisa daquilo que em si há de pior se pretende alcançar o que nele existe de melhor.
37 – O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem, uma corda por cima do abismo.
38 – A vida mais doce é não pensar em nada.
39 – A música oferece às paixões o meio de obter prazer delas.
40 – O que o pai calou aparece na boca do filho, e muitas vezes descobri que o filho era o segredo revelado do pai.
41 – Se não se tem um bom pai, é preciso arranjar um.
42 – Fé significa não querer saber a verdade.
43 – Culpamos as pessoas das quais não gostamos pelas gentilezas que nos demonstram.
44 – Na minha vida ainda preciso de discípulos, e se os meus livros não serviram de anzol, falharam a sua intenção. O melhor e essencial só se pode comunicar de homem para homem.
45 – O amor por um só é uma barbaridade: porque se exerce à custa de todos os outros. O mesmo quanto ao amor por Deus.
46 – Não basta ter talento: é preciso ter o vosso assentimento para o possuir.
47 – Começamos a desconfiar das pessoas muito inteligentes quando ficam embaraçadas.
48 – Em tempo de paz o homem belicoso ataca-se a si próprio.
49 – Um homem de gênio é insuportável se, além disso, não possuir pelo menos duas outras qualidades: gratidão e asseio.
50 – O que não me mata, fortalece-me.
51 – Há sempre um pouco de loucura no amor; mas sempre há um pouco de razão na loucura.
52 – Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para dentro de você.
53 – Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?
54 – A crueldade é um dos prazeres mais antigos da humanidade.
55 – A boa memória é as vezes um obstáculo ao bom pensamento.
56 – A maturidade do homem é ter voltado a encontrar a seriedade com que jogava quando era menino.
57 – Quem atinge o seu ideal, ultrapassa-o precisamente por isso.
58 – É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.
59 – Não há fenômenos morais, mas apenas uma interpretação moral de fenômenos.
60 – Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde.
61 – É preciso saber perder-se quando queremos aprender algo das coisas que nós próprios não somos.
62 – Nome da mãe da moral: medo.
63 – Há uma exuberância na bondade que parece ser maldade.
64 – O nosso próximo não é o nosso vizinho, mas o vizinho deste.
65 – Logo que comunicamos os nossos conhecimentos, deixamos de gostar deles suficientemente.
66 – Todo coração em caos traz uma estrela cintilante.
67 – Existo, logo penso.
68 – Se se quer ser alguém, deve venerar-se a própria sombra.
69 – Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo.
70 – O amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são.
71 – Os métodos são as verdadeiras riquezas.
72 – Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.
73 – Sem música, a vida seria um erro.
74 – O Homem evolui dos macacos? é existem macacos!
75 – Os macacos são demasiado bons para que o homem possa descender deles.
76 – Só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
Axiomas elaborados pelo educador DeRose
Reproduzo abaixo um texto escrito por DeRose que elenca alguns axiomas elaborados por ele, a partir das suas máximas de experiência de vida. A palavra axioma pode significar: num sentido filosófico, uma afirmação que não exige prova para que se considere verdadeira; expressão com um sentido geral ou um princípio moral; ou ainda, uma máxima. Obrigado pelo presente!!!
Axiomas
Estes axiomas são o fruto de muita experiência de vida. Eles foram elaborados pensando em você e para ajudá-lo a tornar sua vida mais fácil. Aceite-os como um presente. Reúna sua galera para desfrutá-los num grupo de debates ou de meditação.
1. Não acredite.
2. Dar segunda chance é dar uma segunda oportunidade para que a pessoa repita a mesma atitude.
3. Repassar sua incumbência a terceiros é uma forma quase infalível de a tarefa sair errada.
4. Deixar recado não funciona.
5. Fazer surpresa quase sempre resulta em desastre.
6. Tudo o que você disser chegará ao conhecimento da pessoa envolvida no comentário.
7. Nada é aquilo que parece ser.
8. Tudo é relativo.
Axioma temporário: E-mail não funciona (a menos que você telefone perguntando se o destinatário conseguiu abrir e ler o arquivo).
Axioma Número Zero (do Joris Marengo): O Mestre sempre tem razão.
[Espero que o Joris tenha razão!]
Autor: DeRose.
Extaído do Blog do DeRose: http://www.uni-yoga.org/blogdoderose/profissao/voce-sabe-quais-sao-os-outros-axiomas/
O Pensador de Rodin
O Pensador (francês: Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin e retrata um homem em reflexão soberba, lutando com uma poderosa força interna.
Originalmente chamado de O Poeta, a peça era parte de uma comissão do Museu de Arte Decorativa em Paris para criar um portal monumental baseada na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Cada uma das estátuas na peça representavam um dos personagens principais do poema épico. O Pensador originalmente procurava retratar Dante em frente dos Portões do Inferno, ponderando seu grande poema. A escultura está nua porque Rodin queria uma figura heróica à la Michelangelo para representar o pensamento assim como a poesia.
Rodin fez sua primeira versão por volta de 1880. A primeira estátua (O Pensador) em escala maior foi terminada em 1902, mas não foi apresentada ao público até 1904. Tornou-se propriedade da cidade de Paris graças a uma contribuição organizada pelos admiradores de Rodin e foi colocada em frente do Panteão em 1906. Em 1922, contudo, foi levada para o Hotel Biron, transformado no Museu Rodin. Mais de vinte cópias da escultura estão em museus em volta do mundo. Algumas destas cópias são versões ampliadas da obra original assim como as esculturas de diferentes proporções.
Texto extraído da Wikipédia (com algumas alterações): http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Pensador
Mais sobre Rodin: http://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_Rodin
Se desconstrua…
Essa palavra, desconstrutivismo, que remete a um conceito de arquitetura pós-moderna, me faz lembrar de algo que, para ser alcançado, preciso será antes degenerar, subverter… para só então haver a renovação e transcendência almejadas. Nessa arte, onde destruir faz parte da construção, persegue-se a superlativa relatividade das coisas, deixando-se para trás aquela condição medíocre pautada na inércia, no velho paradigma, no conformismo, na normalidade e na superficialidade.
Museu Guggenheim Bilbao de Frank Gehry, às margens do Rio Nervión, no centro de Bilbau, Espanha.
Daniel Libeskind’s Green New York Tower
A natureza e o Yôga: a superação dos instintos*
Yôga é domínio sobre a natureza.
Quando olhamos o sádhana, a prática diária, sobre este ângulo, algumas interessantes associações podem ser feitas.
Uma é de que dissolvemos para sempre, em nós, o rótulo utilitário, de benefícios, impostos pela mídia e a opinião pública.
Por exemplo, ao executar um ásana, procedimento orgânico, notadamente tão coligado à atividade física, flexibilidade etc, o sádhaka, praticante, faculta-se aplicar uma intenção à mentalização enquanto permanece na posição, que a projeta para muito além do emprego do azul para sedar ou o do laranja para tonificar, modelo ampla e unanimemente usado nas orientações do Instrutor em classe.
Antes de continuarmos, porém, cabe relembrar a ancestral frase utilizada por DeRose, nas primeiras edições do Prontuário de Yôga Antigo: “Yôga é 80% mental e 20% físico”. Ou seja, o ásana escapa efetiva e definitivamente da condição de exercício físico, quando utilizamos os modelos mentais, protótipos de saúde, longevidade, prosperidade, evolução etc. Antes disso, ousaríamos dizer que ainda não é ásana.
Continuando o raciocínio, note o leitor que o foco está na vontade e não especialmente nas construções de imagens, embora estas também possam mudar drasticamente, quando o sádhaka se debruça sobre a frase do início do texto.
Incorporado o conceito de que Yôga é domínio sobre a natureza, o praticante, ao assumir o ásana ou qualquer outra técnica do Nosso Método tais como pránáyáma, kriyá, pújá etc, estará sujeito a adotar uma atitude mental aonde a atenção está voltada em reconstruir o corpo, reeducar a emocionalidade e disciplinar os pensamentos, remodelando-se na direção de um arquétipo de perfeição evolutiva, incorporando qualidades, talentos e habilidades que o levem a uma espiral ascendente e continuada de sobrepujança sobre a sua genética, instintos, hábitos e crenças. Ou seja, uma intenção definitivamente afastada dos alvos utilitários.
As reflexões acima expostas, nos parecem uma visão pura de poder, de domínio e que afastam os sádhaka, de sua humanidade tão imperfeita. “O Yôga é um processo de desumanização, de desnaturação do ser humano” já alertava DeRose em seus cursos na década dos oitenta do século passado.
Esta atitude, de auto-superarão dos instintos, pode remodelar também a qualidade, a profundidade e potência das mentalizações, do chayttanya do discípulo. Na maioria dos casos, como desdobramento, a expectativa e a qualidade da vida do educando são dilatadas, a rede e a propriedade das relações interpessoais amplia-se, desembocando naturalmente em consolidação econômica, reconhecimento social e profissional.
Estes são apenas os sinais externos, recorrentes nos praticantes das modalidades de Yôga autênticos, entre os quais incluímos o Nosso Método. Refletem um câmbio, uma mudança nos registros humanos coletivos, mundanos, normais, atrelados biologicamente apenas a garantir a sobre-vivência individual e perpetuação da espécie, e nos quais está submersa a maioria esmagadora da Humanidade. São substituídos por outros, edificados pela ética, civilidade, cidadania, cultura, hábitos alimentares e comportamentais mais sutis, forte reforço gregário, ou seja, os elementos que ensejam a Nossa Proposta Cultural.
Autor: Joris Marengo
*Texto extraído do BláBLOGBlá – O blog do Jojó: http://yogafloripa.com/blogdojojo/, postado em 01/05/2010.
Coexistindo
Coexistir significa existir ao mesmo tempo e/ou em outro lugar. Ora, saber lidar com as diferenças, compreender outros pontos de vista e aceitar as pessoas do jeito que elas são, é uma forma inteligente de se evitar conflitos, confrontos ou aborrecimentos, por conseguinte, uma forma de se obter mais qualidade de vida. Afinal, uma pessoa tolerante é aquela que aceita e respeita ideias ou comportamentos distintos dos seus. Desenvolver tolerância é acrescer felicidade à nossa existência.
Hierarquia & Liberdade – extraído do blog do Jojó (Joris Marengo)
O texto abaixo do educador e filósofo Joris Marengo, aborda a importância da hierarquia como um meio facilitador nas relações sociais, suas vantagens e desvantagens, priorizando, contudo, a liberdade. É simplesmente fascinante.
Hierarquia & Liberdade
A palavra hierarquia comumente está equivocadamente associada à coerção, e por isso, comumente gera uma reação refratária.
Precisamos mesmo de hierarquia? Concordo que temos dificuldade de ajustar-nos a ela. Entre tantos motivos, elencamos a dificuldade de equacionar o conceito de liberdade individual com a regra, a norma.
Toda a regra tem como funções a redução de conflitos, a busca da harmonia nas relações. Seja de um grupo de homo sapiens, chimpanzés ou panthera leo.
Esta também é um dos objetivos da hierarquia. Se não, vejamos o que diz o Educador DeRose, muito apropriadamente, sobre o assunto: o que mais prezamos é a arte de relacionar-nos bem com todo o mundo: nossos pares, nossos subordinados e nossos superiores. Uma excelente ferramenta para facilitar um bom relacionamento, baseado no respeito mútuo, é a observância da hierarquia.
Ela contribui para evitar confrontos desnecessários e anti-éticos. E auxilia a etiqueta, poupando-nos de gafes, eliminando dúvidas quanto à posição a ser ocupada em qualquer circunstância por todos os membros da nossa comunidade, desde a localização dos alunos numa sala de práticas, à distribuição dos participantes numa cerimônia, ou até numa fotografia de grupo; enfim, orienta-nos sobre a maneira de comportar-nos em qualquer situação.
A palavra hierarquia vem do grego hieros (sagrado) + arché (poder, comando) podendo ser definida como organização social em que se estabelecem relações de subordinação e graus sucessivos de poderes, de situação e de responsabilidades; ou ainda como classificação, de graduação crescente ou decrescente, segundo uma escala de valor, de grandeza ou de importância (Dicionário Houaiss).
No seu livro, Eu, primata, o autor, Frans de Wall, observa que não apenas somos sensíveis às hierarquias e à linguagem corporal a elas associadas, mas simplesmente não podemos viver sem elas. Mesmo que alguns preferissem vê-las desaparecer, a harmonia requer estabilidade, e esta depende, em última análise, de uma ordem estabelecida. Podemos ver facilmente o que acontece na aus6encia de estabilidade em uma colônia de chimpanzés. Os problemas começam quando um macho que costumava sair do caminho e fazer reverencia para o chefe, transforma-se em desafiante, causando barulho e confusão (…). O momento crítico não é a primeira vitória do desafiante, mas a primeira vez em que ele obtiver a submissão (…). Enquanto não se estabelecer a ordem vigente outra vez, o ambiente do clã refletirá a divisão de poder, sinalizando medo e desconforto. Para os chimpanzés, a hierarquia clara e estável elimina tensões, e com isso os confrontos tornam-se raros: os subordinados evitam conflitos, e os superiores não tem motivos para buscá-los.
Sinais por favor!
Na natureza, os chimpanzés, as hienas, as abelhas e formigas são exemplos de organizações sociais fortemente hierarquizadas, como vantagem evolutiva que garante a sobrevivência dos indivíduos e a perpetuação do gene.
Na sociedade humana, vamos encontrar na igreja, exército, artes marciais e na família, modelos de corporações hierarquizadas. Em todas elas, quanto mais visíveis os sinais de quem é quem, mais confortáveis todos se sentem. Todos nós ambicionamos por transparência hierárquica. Sentimo-nos muito confusos sem sinais externos da posição das outras pessoas em relação a nós. Seja pela aparência, atitude ou objetos que porta, estamos permanentemente procurando indícios hierárquicos para sabermos como comportarmo-nos.
Imagine um dojô, local onde se treinam as artes marciais, em que todos trajassem quimonos com faixas da mesma cor. Como cada um saberia distinguir quem é um Mestre ou um iniciante? Buscariam ansiosos e inseguros, no olhar, postura etc, sinais hierárquicos com resultados constrangedores, provavelmente, e que seriam facilmente contornado por uma codificação de cores nas faixas.
Vantagens e desvantagens da hierarquia
As vantagens da ordem hierárquica esta na divisão de responsabilidades, que gera, para qualquer organização, resultados coletivos mais eficientes, além de facilitar o aprendizado, e segurança decorrente da estabilidade pela redução os conflitos.
O desafio está no caráter daqueles que representam os graus mais altos de importância em qualquer sistema hierárquico. Vemos diariamente, em todos os lugares maus exemplos de conservadorismo e corporativismo, além de corrupção, abusam de poder e preconceito.
E a liberdade?
A liberdade é o nosso bem mais precioso. No caso de ter que confrontá-la com a disciplina, se esta violentar aquela, opte pela liberdade (Mestre DeRose)
Nossa observação do ser humano constata que nem todos nasceram para viver sob hierarquia, pois ela sempre releva os interesses individuais em prol do que é melhor para a maioria.
O que devemos procurar é de que forma podemos ser úteis em um sistema hierárquico e de como nossos talentos possam construir uma mútua e vantajosa relação de trocas, aonde as habilidades individuais reforçam e aprimoram o modelo hierárquico e este nos ofereça estabilidade, amigos confiáveis, segurança e reconhecimento.
Confira no blog do Jojó o texto Hierarquia & Liberdade
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Autor: Joris Marengo
Is there anybody else?
Eis que então surge no universo… o Garbage… dando novo sentido ao que chamamos música!!!!
Garbage é uma banda de rock formada na cidade de Madison (Wisconsin), nos Estados Unidos da América, em 1993. Integrada por Shirley Manson, Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson.
Bem antes de se iniciar o Garbage, três de seus integrantes já tinham uma vasta experiência com música. Butch Vig, o baterista, teve a maior notoriedade no meio sendo produtor de álbuns excepcionais como Nevermind (Nirvana), Siamese Dream (Smashing Pumpkins) e Dirty (Sonic Youth). Steve Marker e Duke Erikson também eram produtores.
No final da década de 80, Butch e Duke, amigos de longa data que moravam em Madison (Wisconsin), resolveram montar um estúdio para produzir bandas de rock alternativo, hardcore, entre outras. Nos tempos livres das gravações, eles trabalhavam em suas próprias músicas e acabaram formando a banda Spooner, onde Butch ficava na bateria e Duke na guitarra. Marker conheceu Butch na University of Wisconsin e ficaram amigos. Mais tarde, Butch convidou Marker para ver uns ensaios do Spooner. Marker, logo, acabou gostando muito do som do Spooner e do trabalho dos dois produtores, e mais tarde ele acabou decidindo se tornar um produtor também.
Mais tarde, com o fim do Spooner, Butch, Duke e Marker se tornaram renomados produtores, principalmente Butch, um dos mais privilegiados da década de 90. Em 1993, os três se encontravam algumas vezes para trabalhar em remixes de U2, Nine Inch Nails e Depeche Mode. Depois de um tempo, eles começaram a compor juntos, gravando efeitos e dando ideias novas para um novo som. Um amigo de Butch, ao ouvir as demos do projeto, disse que aquela música parecia lixo, e foi aí que eles tiveram a ideia para o nome da banda: Garbage.
Mas o Garbage só foi tomar forma mesmo, após a entrada de Shirley Manson em 1995. Shirley Ann Manson (Edinburgo, 26 de agosto de 1966) é uma ex-modelo da Calvin Klein, atriz e cantora escocesa, atualmente, vocalista da banda.
Histórico e informações extaídas do site Wikipédia.
Abaixo a letra de uma das músicas que eu mais curto da banda.
Garbage – Boys Wanna Fight
the boys wanna fight
but the girls are happy to dance all night
they know best how they can mess with us
nursing an opinion´s getting dangerous
and in a world where good´s not good enough
let´s get loaded and kick up a fuss
the boys wanna fight
but the girls are happy to dance all night
the boys wanna fight
but the girls are happy to dance all night
is there anybody else?
what a mess we´ve made
it´s ridiculous
the whole wide world´s a stage of complete chaos
it´s gets so funny that we get confused
we don´t know where to turn cause we´ve all been used
the boys wanna fight
but the girls are happy to dance all night
the boys wanna fight
but the girls are happy to dance all night
is there anybody else?
let´s get loaded (oh let´s be selfish)
let´s get wasted (and lose our senses)
let´s get shit faced (so we can fake it)
let´s get stupid (just entertain us)
let´s get wicked (desensitize us)
let´s get toasted (don´t educate us)
let´s get hammered (yeah paralyze us)
let´s forget it (don´t count on all )
the boys wanna fight
but the girls are happy to dance all night
the boys wanna fight
but the girls are happy to dance all night
is there anybody else?
I´m sick sick sick of saying nothing
sick sick sick sick of doing nothing
I´m sick sick sick of saying nothing
but let´s get loaded
(Tradução por Cristiane Volter)
Os meninos querem lutar
Mas as meninas estão felizes em dançar a noite toda
Eles sabem melhor como podem mexer com a gente
Tomando conta da opinião, mantendo em perigo
E num mundo onde o bem não é bom o bastante
Vamos sendo carregados e criando confusão
Os meninos querem lutar
Mas as meninas estão felizes em dançar a noite toda
Os meninos querem lutar
Mas as meninas estão felizes em dançar a noite toda
Há mais alguém aí?
Que bagunça que fizemos
É ridículo
A rede mundial de computadores é um palco de caos completo
Ela é tão divertida que nos deixa confusos
Não sabemos para onde nos virar porque também temos sido utilizados
Os meninos querem lutar
Mas as meninas estão felizes em dançar a noite toda
Os meninos querem lutar
Mas as meninas estão felizes em dançar a noite toda
Há mais alguém aí?
Vamos ser carregados (oh vamos ser egoístas)
Vamos ser desperdiçados (e perder os sentidos)
Vamos encarar de cara suja (então podemos fingir)
Vamos ser estupidos (e apenas nos distrair)
Vamos ser cruéis (e nos dessensibilizar)
Vamos brindar (à nossa deseducação)
Vamos ser martelados (yeah nos imobilize)
Vamos esquecer (mas não conte com todos)
Os meninos querem lutar
Mas as meninas estão felizes em dançar a noite toda
Os meninos querem lutar
Mas as meninas estão felizes em dançar a noite toda
Há mais alguém aí?
Estou doente, doente, doente por nada dizer
Doente, doente, doente, doente por nada fazer
Estou doente, doente, doente por nada dizer
Mas vamos sendo carregados (baixados da internet)
Assista ao vídeo da música:
Carpe diem
Carpe diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. É também utilizada como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.
Esta expressão pode ser encontrada em “Odes” (I,, 11.8) do poeta romano Horácio (65 – 8 AC), onde se lê:
Carpe diem quam minimum credula postero. Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati. seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam, quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida aetas: carpe diem quam minimum credula postero.
Tradução:
“Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã. Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia não brinque. É melhor apenas lidar com o que se cruza no seu caminho. Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar Tirreno: seja sábio, beba o seu vinho e para o curto prazo reescale as suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós. Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã.”
Os defensores do Carpe Diem defendem que o “espírito” da frase pode ser entendido como aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferece no momento em que elas se apresentam ou ainda “aproveitar a vida e não ficar apenas pensando no futuro”.
Outros, dizem que viver o hoje e não se preocupar com o amanhã é um estilo de vida largamente difundido pela mídia e atrelado aos valores do consumismo e materialismo como meios de obtenção do prazer. Jovens são facilmente seduzidos pela ideologia por serem mais apegados à imagem. O dilema que se apresenta a todo indivíduo “viver o hoje ou se preparar para o futuro?” é bipolar e sempre muito controverso principalmente se aplicado aos dias atuais onde a incerteza de estabilidade e segurança é uma constante na vida das pessoas.
Aos experientes a interpretação varia de acordo com a percepção da vida. Um defensor pode argumentar que “passei tantos anos da minha vida poupando e pensando no futuro pra chegar até aqui e descobrir que não vivi nada” e os críticos “se tivesse me poupado mais, economizado mais, me precavido mais, não teria chegado a essa situação de miséria que me encontro”.
Para mim “viver o hoje” e ” se preparar para o futuro” são propostas de vida plenamente compatíveis entre si. Viver o melhor dos mundos, presente e futuro, desde que possível na mente do indivíduo, passível também será de realização no mundo físico e concreto.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Transcrição da entrevista, revisada
Transcrição da entrevista postada no Blog do DeRose, nesta quinta-feira, 1 de Outubro de 2009.
Autoria: DeRose
Entrevista concedida ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009, transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli, Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo Justa e Alessandra Filipini.
Depois de transcrito, o texto abaixo foi revisado e convertido de linguagem coloquial em linguagem escrita. Trechos foram suprimidos ou inseridos em benefício de uma melhor redação.
ENTREVISTA
A sua cultura promove um indivíduo mais lúcido, mais consciente, mais interventivo na sociedade. É isso?
A proposta é essa. A proposta é que através de um conjunto de técnicas e um conjunto de conceitos nós possamos levar a pessoa comum a um estado de consciência expandida. Se isso vai ser obtido ou não, vai depender de uma constelação de fatores. Entre eles, a própria genética do indivíduo. Quanto à parte controlável, vai depender da dedicação, do investimento de tempo na prática dessa filosofia e também do ambiente onde a pessoa vive. Porque vai depender muito da bagagem cultural que ela traz, da profissão que ela exerce, da idade com a qual começou.
É possível esculpir um indivíduo diferente, mais interventivo na sociedade?
Cada indivíduo é uma realidade distinta. As próprias técnicas, por exemplo, de oxigenação cerebral, vão reagir diferentemente de um indivíduo para o outro.
Mas o senhor tem uma intenção, tem um destino que quer cumprir no esculpir desse indivíduo?
Sim. A meta que nós queremos alcançar é conceder a essa pessoa um estado de hiperconsciência, um estado de megalucidez. Que, na verdade, é a direção na qual a humanidade está caminhando.
Quando as sociedades dos nossos dias não têm um perfil nem de indivíduo nem de sociedade em si, a sua cultura pode ser a proposta que falta. Esse indivíduo, obviamente diferente, mais lúcido, mais consciente, que impacto real ele tem na sociedade? Em que ele pode fazer a diferença?
Quando a pessoa tem mais lucidez, a primeira coisa que ocorre é que ela vai exercer melhor o seu trabalho, a sua posição na família, o seu engajamento em qualquer ideal, seja ele político, humanitário, filantrópico, artístico, seja lá qual for. E, além do mais, ele se sente integrado. Quando o indivíduo ainda não tem uma consciência plena, ele acha que o mundo se divide entre “eu e os outros”. No momento em que a consciência se expande, ele percebe que não existe essa coisa de “eu e os outros”. Somos todos uma só coisa, estamos todos interligados, não apenas dentro da espécie humana, mas entre todas as espécies e com o próprio planeta, com o próprio cosmos. E esse estado de consciência expandida é alcançável. Mas, geralmente, quando a pessoa menciona a sua pretensão, a sua intenção de conseguir tal estado de consciência, um outro que não imagine o que é isso, que não tenha lido a respeito, que não tenha estudado, que não tenha se esclarecido, pode supor um ideal inalcançável, pode supor uma fantasia. Acontece que muita gente já logrou esse estado de consciência.
Esse estado de hiperconsciência, de megalucidez, traduz-se em quê no dia-a-dia?
No dia-a-dia, traduz-se em uma participação objetiva, que nós chamamos de ação efetiva. Porque muita gente tem iniciativas, mas poucas têm acabativas. Então, uma das coisas que uma consciência maior nos concede, é perceber que não adianta apenas o discurso, não basta a intenção, é preciso levar a cabo. É necessário ter a iniciativa, a acabativa, o resultado final, para a vida deste indivíduo, para a sua família, para os seus amigos, para os seus desamigos, para toda a sociedade, para a responsabilidade social, para responsabilidade ambiental, ou seja, ele vai expandido o seu campo de atuação, ele deixa de ser um indigente, ele deixa de ser um indivíduo que não é ouvido, que não tem voz, nem voto. Ele passa a ser uma pessoa que atua e que modifica o mundo em que vive. E como essa pessoa, em geral, é uma pessoa que tem nobres ideais, ao modificar o mundo em que vive, modifica-o para melhor.
Como é que a sua cultura faz isso sobre o indivíduo? De que instrumentos, de que ferramentas dispõe para fazer isso?
A Nossa Cultura! Eu chamo de “Nossa Cultura” porque é um conjunto de conceitos, é uma filosofia, é um sistema de vida. Essa Nossa Filosofia, essa Nossa Cultura, propõe atuar sobre o indivíduo através de uma reeducação comportamental progressiva e espontânea. Não somos a favor de doutrinação, portanto, doutrinação está excluída. Não somos também a favor de repressão. Sem doutrinação e sem repressão, o melhor caminho é o do exemplo. É a convivência. É o que nós chamamos de egrégora. É conviver com o poder gregário, de um grupo que já está dedicado a esses ideais. E, a partir daí, os conceitos são incorporados com muito mais facilidade. Quanto às técnicas, aí já é uma questão de dedicação individual, de praticar, de executar, de treinar.
Pode-se comparar esse tipo de intervenção como quem afina uma orquestra? Vamos reunir os violinos, as flautas, e pô-los todos a prestarem um comportamento numa mesma direção?
Certamente que é. Nós geramos uma sincronia entre todos os elementos que nos constituem um ser humano. Não apenas corpo e mente, mas corpo físico, emocional, mental, intuicional, enfim, todos os elementos que vão sinergizar-se, como você muito bem exemplificou, como uma orquestra. Depois, nós vamos extrapolar para além do indivíduo. Não queremos que o nosso praticante se restrinja a atuar dentro do seu pequeno mundinho, do seu universo pessoal. Extrapolando, essa orquestra passa a ser também a orquestra da família, a orquestra do trabalho que ele executa, a orquestra da sua arte, de todos os elementos, pessoas, indivíduos, circunstâncias, daquele ambiente. À medida que vai ampliando seu campo de atuação, você chega a considerar que o mundo é muito pequeno, porque alcança as pessoas, através de veículos diversos. Outrora, era através da escrita, através de livros, antes deles, pelos pergaminhos. Hoje nós conseguimos atingir as pessoas por veículos eletrônicos, conseguimos estar num momento escrevendo em nosso computador e ao mesmo tempo sendo lidos, sendo acessados por pessoas em todo planeta.
Carl Sagan defende, pelo oposto, um sujeito que é contaminado pela sociedade, que é poluído pela sociedade. A Sua Cultura promove o oposto. Promove um indivíduo ativo, consciente, interventivo.
Eu concordo com ele. A sociedade contamina o indivíduo. Mas o indivíduo tem o poder de contaminar a sociedade. Isso parte da proposta de você realmente perceber que a sociedade tem esse poder, que todo o ambiente cultural em que uma pessoa vive, tem poder sobre nós. De fato, somos produto, nós somos frutos do ambiente, da cultura em que fomos educados, na qual vivemos. Se tivermos consciência disso, desse poder do ambiente de nos contaminar, e nos recusarmos a aceitar passivamente essa contaminação, então nós inverteremos o processo e passaremos a influenciar a sociedade, a cultura e o mundo em que vivemos.
Essa contracorrente do sujeito ativo, e não passivo, entronca naquilo que referi ao princípio, que é a perspectiva do indivíduo mais lúcido, mais consciente. Essa lucidez também tem a ver com o indivíduo aperceber-se de como a influência exterior lhe pode ser danosa, é isso?
Sim. Mas é preciso lembrarmo-nos de que esta proposta, embora revolucionária em termos comportamentais, não é agressiva, no mal sentido. Não é violenta. Ou seja, nós não estamos indo contra o que já está estabelecido, nós não queremos que as pessoas simplesmente mudem e adotem a Nossa Filosofia. A proposta é: quem já estiver pensando dessa forma, não se sinta um avis rara. Que esses indivíduos sintam que há outros que pensam da mesma forma. E, então, nós podemos nos reunir, comungar um mesmo ideal e compartilhar as idéias, os conceitos, as práticas, a maneira de viver, a maneira de constituir amizades, constituir relações afetivas, de uma forma que nós consideramos mais civilizada, que é muito mais amorosa, muito mais tolerante.
Certa vez uma jovem aluna do nosso Método nos escreveu uma linda cartinha que terminava dizendo: “Sempre me senti o coringa do baralho e agora encontrei um baralho em que todas as cartas são coringas.”
Porque Vossa Cultura não traz só uma proposta interior, do indivíduo, é também na forma como ele se relaciona com os seres humanos à sua volta, com o mundo físico à sua volta. Há uma nova estética e uma nova ética?
Certamente, porque o conceito de um interior pressupõe que haja uma dicotomia entre interior e exterior. E a Nossa Cultura não entende o indivíduo, nem o mundo, como uma coisa separada. Um corpo e alma, por exemplo. Um antagonismo entre o espiritual e o natural, o físico, o corporal. Então, nós entendemos que interior e exterior são uma coisa só. Que estando integrados, nós conseguimos realizar muito mais e muito melhor, muito mais bem feito o nosso trabalho. De nada adianta que consigamos proporcionar uma evolução pessoal a um indivíduo se isso não for se reverberar na sociedade, no mundo, na humanidade e até no meio ambiente. Um mais elevado nível de consciência forçosamente desencadeia uma nova estética e uma nova ética em relação aos valores que hoje estão vigentes. Por outro lado, nada do que proclamamos é novo.
Quando os governos dos nossos dias pouco ou nada se preocupam com o perfil de indivíduo a definir, com o perfil de sociedade a alcançar, a não ser no plano puramente material, do acerto de contas financeiras, é preciso haver um novo olhar sobre a qualidade do indivíduo. E a sua proposta de Cultura responde exatamente a isso. É um sujeito mais lúcido, mais ativo, e que sabe para onde ele quer caminhar?
Exatamente. E sempre sob a égide da tolerância. Porque, se não for assim, nós estamos correndo o risco de inventar uma religião nova, que não é absolutamente a intenção. A nossa é uma proposta educacional, uma proposta cultural, de levar o indivíduo a um patamar mais elevado de civilidade, de cultura, de educação, de senso artístico, de sensibilidade e, como você disse antes, de ética e de etiqueta também. A etiqueta é uma pequena ética. Quer dizer, nós temos a grande ética, e nós temos aquela ética, aquela etiqueta aplicada ao dia-a-dia, no relacionamento dentro de uma sociedade específica, na qual nós precisamos nos adaptar. Porque quando expomos uma proposta abrangente como esta, temos de considerar que existe uma cultura cristã, mas existe uma cultura hindu, uma cultura judaica, uma cultura islâmica e nós não podemos sugerir uma proposta que se adapte apenas a uma dessas culturas.
Isso muda completamente a dinâmica do mundo à nossa volta. Que possibilidades é que se abrem?
As possibilidades são múltiplas e bem abrangentes. No entanto, a realização é sempre lenta, porque a mudança de paradigmas é muito difícil para o ser humano. Nossos circuitos neurológicos foram projetados de uma forma que, a partir do momento em que aprendemos um determinado conceito, um determinado código de procedimento, não conseguimos mudar. É muito difícil mudar. Então, quando transmitimos este ensinamento, devemos nos lembrar de que é um ensinamento basicamente para um público jovem, adulto jovem. Adulto jovem, é aquele que está na ativa, é aquele que está na dinâmica empresarial, política, artística, enfim, em qualquer área. Essa pessoa tem condições ainda de processar uma transmutação na sua maneira de ser. Tem condições de incorporar uma nova práxis. E quem o tiver, no meu entender, é um adulto jovem.
Martin Luther King legou-nos um sonho que ele tinha – “I have a dream”. O John Lennon pintou com música – “Imagine”. Nelson Mandela trocou a sua liberdade por esse sonho. O visionário DeRose, como é que configura esse sonho?
Eu não diria visionário. Porque o nosso trabalho é muito terra-a-terra, é muito objetivo, vai diretamente ao indivíduo no mundo em que ele vive. Ou seja, sem subjetividades, sem teorizações, sem suposições. Ideais, sim. Mas dentro de um cuidado muito grande para que esses ideais não se tornem fanáticos. O fanatismo tem que ser evitado. Mas a intenção é justamente conduzir estes conceitos a que o indivíduo possa aplicá-los de fato. Que não seja apenas uma linda proposta, um lindo discurso, mas que ele realmente chegue lá na sua empresa e faça isso funcionar, modificando a estrutura do seu negócio, modificando a administração da empresa, tornando cada funcionário, cada colaborador seu um indivíduo que tem um valor, que tem um potencial, que tem uma criatividade e que é um ser humano. Não no sentido obsoleto de entender o funcionário e o empresário como forças oponentes num cabo de guerra, mas colocando todos a tracionar na mesma direção, direção essa que é o progresso individual e, por consequência, o progresso da sociedade.
Quando o senhor imagina, vamos pegar no “Imagine” do John Lennon, quando o senhor sonha um futuro, sonha o quê? Vê o que no fim dessa viagem?
No “Imagine” eu vejo um credo. O que ele propõe é realmente revolucionário. Até me causa espécie que não tenha havido reações mais virulentas contra aquelas propostas, porque Lennon exorta o indivíduo a superar as limitações de pátria, as limitações de fronteiras. Isso obviamente não agrada nada a maior parte da população, dos governantes, dos poderes constituídos. Querer que todos sejamos um só povo, uma única humanidade. E ao propor “no religion too”! Era de se esperar que todas as religiões censurassem a ousadia. Mas não aconteceu isso. A música é linda e o que nós vemos é que a sua letra é aceita por todos, inclusive pelos governantes, pelos poderes constituídos, pelas religiões em geral. As pessoas gostaram da mensagem de Imagine porque Lennon soube como expressá-la com arte e estética.
Mas o senhor quando mobiliza os seus instrutores, a sua família, a sua egrégora DeRose, está a configurar um futuro. Onde é o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida?
Eu diviso, a curto prazo, pessoas mais felizes e mais saudáveis, com uma qualidade de vida melhor. Porque isto é o que as nossas técnicas proporcionam. Em primeiro lugar, maior qualidade de vida. A médio prazo, eu vejo prosperidade. A longo prazo, autoconhecimento.
Uma pessoa que tem melhor qualidade de vida, que tem mais tolerância, que sabe lidar com o ser humano, que sabe lidar com seus superiores hierárquicos ou com seus comandados, sabe lidar com seus clientes, com seus fornecedores, sabe lidar com seus amigos e com a sua família, com as suas relações afetivas, essa pessoa está no controle. Converte-se em um líder. Um líder sereno, carismático dentro do seu respectivo ambiente. Então, a médio prazo, isso proporciona estabilidade. Estabilidade na relação afetiva, estabilidade na família, estabilidade no trabalho. A conseqüência é prosperidade.
Eu já estou nessa caminhada há meio século. Durante estes cinquenta anos de profissão, tenho observado que de fato as pessoas que seguem a Nossa Cultura, a médio prazo, começam a conquistar a estabilidade, a prosperidade, mais felicidade, maior expectativa de vida.
O aumento da expectativa de vida é conferido, inclusive, pelos bons hábitos que são propostos. Nossa Filosofia ensina a não utilizar drogas, a não utilizar álcool, não utilizar fumo. E buscar hábitos saudáveis. Isto, muito longe de tornar a vida sem graça, torna-a muito mais interessante, porque aumentando a sua lucidez, se você não está sob influência de droga alguma. Então, se você não está sob o jugo de nenhuma dessas substâncias tóxicas, que interferem com a consciência, inquestionavelmente, desfruta de mais felicidade, mais lucidez, percebe o mundo de uma outra maneira e, consequentemente, o mundo e a vida ficam muito mais divertidos. Essa pessoa fica mais feliz de fato. E, a longo prazo, a proposta é aquele estado de consciência expandida que nos conduza ao autoconhecimento.
Esse é o objetivo a nível individual?
No âmbito individual, o autoconhecimento. Se um dia, a humanidade conseguir chegar a esse estado, nós vamos ter uma humanidade muito diferente da que temos atualmente, porque hoje nós partimos para soluções drásticas. Nós sempre observamos que, em um mesmo momento, várias nações estão em conflitos armados. Se conseguíssemos que, senão toda a humanidade, pelo menos aqueles que têm o poder de decisão, aqueles que podem criar leis, aqueles que podem declarar guerras, se todos esses estivessem em um estado de consciência melhor, mais expandido, nós teríamos um mundo muito mais harmonioso. Hoje, nós vemos que, muitas vezes, em muitos países, o governante não quer o bem-estar e a evolução do povo. Até porque, se o povo ficar mais lúcido, é capaz de tirá-lo do poder. Considerando o nosso ideal, nós [a humanidade] não estamos em um momento bom. E a demonstração disso justamente são esses conflitos que nós observamos em várias regiões do globo. Mas se, passo a passo, gradualmente, sem nenhuma intenção de converter pessoa alguma, aos poucos, isso der certo, no sentido de uma expansão para a população em geral, eu acredito que realmente nós vamos ter, num futuro, um mundo muito diferente.
O século XXI já está diferente se nós compararmos a qualidade de vida e o nível de consciência, não apenas de cultura, não apenas de informação, não apenas de ilustração, mas o nível de consciência mesmo da maior parte da população comparada com 200 anos, 500 anos atrás, 800 anos atrás, nós estamos numa curva ascendente.
O senhor regride aos alicerces do nosso existir no (livro) “Eu me lembro”, como quem ganha balanço em recuo para um salto. Esse salto leva-nos para onde?
O livro “Eu me lembro” é um conto ambientado num local, num período, numa civilização em que, até onde nos consta, pela história, pela arqueologia, habitava um povo que vivia em harmonia. A população tinha qualidade de vida, o cidadão era respeitado. Não se encontraram construções faraônicas para os monarcas, nem para o clero, mas encontraram-se casas muito confortáveis para a população. Estamos nos referindo a um período proto-histórico que está situado imediatamente antes do surgimento dos registros históricos. Os historiadores recorreram, muitas vezes à arqueologia, para poder montar um pouco da história daquele povo.
Estamos falando de 5000 anos atrás, 3000 antes de Cristo. E nessa época, nessa civilização, chamada Civilização do Vale do Indo, já havia cidades extremamente bem urbanizadas, saneadas, as casas do povo eram prédios com dois andares, e mais, com átrio para ventilação interna, com o banheiro dentro da casa, com água corrente. Mas isto, 3000 antes de Cristo, é qualquer coisa de inacreditável. Os próprios arqueólogos quando encontraram suas ruínas, recearam comunicar a descoberta às academias de ciências, receando ser tidos por imprecisos.
Então, as descobertas foram sendo comunicadas gradualmente. Convidaram outros arqueólogos, de diversos países, a que fossem lá constatar. Porque era realmente uma civilização excepcional para a época e até comparada com algumas regiões do nosso planeta atualmente. Então, imagine que, aquela ambientação na qual essa história, esse conto, essa ficção (o livro Eu me lembro…), se baseia, é a de um povo feliz, é de um povo saudável, estável, próspero dentro dos limites do período histórico. E recuando para essas origens, diríamos, muito próximo das origens da civilização mesma, nós aprendemos alguma coisa com eles. Algo que foi perdido depois.
As sociedades primitivas, não-guerreiras, todas tenderam ao matriarcalismo (como é o caso da civilização do Vale do Indo) e as sociedades patriarcais, todas foram guerreiras. Com a chegada dos arianos a 1500 a.C. ocorreu a consequente introdução do sistema patriarcal naquela região. Desde o passado remoto, o sistema patriarcal tem vivido da guerra.
Por outro lado, a sociedade matriarcal, privilegia a mãe, o carinho, o ventre, o seio… é uma outra forma de ver o mundo, uma outra proposta para administrar a família e o próprio Estado. Sem guerras, esse povo obviamente consegue dedicar seu tempo e os seus recursos econômicos à arte, à cultura, à ciência e à filosofia. Tudo isso, sem repressão, porque a sociedade matriarcal, em geral, não é repressora. Então, sem repressão, imagine até onde puderam se expandir os impulsos artísticos e culturais daquele povo.
No “Eu me lembro”, o senhor recua há um passado onírico e depois transporta-nos por uma realidade mais palpável, onde aspectos tangíveis, como os instrumentos de escrita, a própria linguagem, já são mensuráveis. É quase como se fosse uma visão antropológica. Como o senhor não dá um ponto sem nó, quer nos levar para onde com esse transporte?
Não nos esqueçamos de que toda a descrição é uma fantasia, porque nesse livro, “Eu me lembro”, eu discorro sobre memórias de um passado, mas esse passado não é nada espiritual, é uma história. Então, levando o leitor até aquela realidade cultural, até aquela civilização, até aquela maneira de ser, eu estou sugerindo uma reflexão do indivíduo a respeito da validade daquela forma de se relacionar com os filhos, com os pais, com os amigos, com os inimigos, com a pessoa amada. Então, talvez o conteúdo do livro possa fazer uma contribuição ao aprimoramento individual. Agora, onde está a fronteira entre a fantasia, a ficção, o mito e a realidade, isso eu deixo para que o leitor descubra.
No entanto, a segunda parte do livro, já tem um cariz quase antropológico, já não é uma ficção pura?
A ficção à qual eu me refiro é o conto em si. Eu utilizei o máximo possível de elementos palpáveis, de fatos reais, de dados históricos para construir o alicerce do conto. Eu vejo a possibilidade de que a pessoa, primeiro seja conquistada pelo coração, por isso o início do livro é muito doce, muito meigo, depois ele é romântico, e finalmente ele é, digamos, mais filosófico. Na parte final, ele perde um pouco da doçura, porquanto na idade madura tornamo-nos mais realistas. É a historia de uma pessoa que cresce. Primeiro é criança, então tem uma visão mais imaginativa do mundo. Depois torna-se adulto. Naquela época o homem tornava-se adulto aos 15 anos de idade, era a idade em que já estava apto a reproduzir, constituir família. E envelhecia cedo, já era um senhor aos 30 anos de idade. Nesse momento, ele já vê o mundo de uma maneira mais consistente, mais cuidadosa, mais prudente. Eu tento transmitir no texto um pouco da nossa filosofia, não muito, apenas um pouco, porque o livro é pequeno. É um dos menores livros que eu escrevi.
Pode ser menor em tamanho, mas eu senti que era o elemento mais instigante, porque há várias leituras a fazer por trás.
Sim, inclusive uma leitura revolucionária, no bom sentido. Uma leitura que subverte os maus hábitos e a estrutura de parca civilidade do nosso mundo. Não na intenção de demolir nada, mas no sentido de sugerir que o leitor pare e pense: “Afinal, essa proposta parece interessante! Quem sabe, nós podemos adotá-la? Vamos experimentar, vamos usar isso na família, vamos aplicar esses procedimentos com os nossos amigos.”
Quando o senhor, por exemplo, promove, em um dos seus pensamentos, defender a liberdade como primeiro pilar da nossa existência e, quando ela se choca com a disciplina, primar sempre pela liberdade.
Esse pensamento é bem categórico. Ele proclama que a liberdade é o nosso bem mais precioso.
No entanto, pela oposição, nós precisamos ter uma disciplina interior e existencial para defender os valores. Onde é que as duas fronteiras se cruzam?
A continuação desse pensamento diz que se a disciplina violentar a liberdade, opte pela liberdade. Como é que nós vamos temperar essas duas forças? A disciplina é fundamental, mas, se a disciplina de um grupo especifico, qualquer grupo que seja, um grupo político, um grupo de esporte, um clube de futebol, não importa o quê, se este grupo tem normas e tais normas, tal disciplina me violenta, eu devo priorizar a liberdade. Fazendo o quê? Brigando, indo contra? Não! Afastando-me. Obviamente, tal grupo não serve para mim. Esta empresa, este colégio, esta faculdade, este clube, não serve, porque suas normas me violentam. Então, eu saio procurando preservar as amizades e vou procurar a minha turma. Se nós fizermos isso, ao invés de querer bater de frente, conseguiremos desfrutar uma vida muito melhor. E é claro que eu respeito quem pensa o contrário. Há quem tenha a opinião de que, para defender um ponto de vista, nós precisamos brigar, gritar, insultar, agredir, fazer escândalo. É uma questão de temperamento, de educação, de caráter. Está bem. Mas esse é um outro grupo. Sempre que possível, procuro ficar distante dele.
O senhor, por exemplo, defende a disciplina, o rigor, a farda, o vestir da camisola [no Brasil, diz-se vestir a camiseta], e esse coletivo pressupõe uma secundarização do indivíduo. É correto isso?
Não, não é. Nosso discurso pressupõe que tudo que você disse é válido, desde que não violente o indivíduo. Não pode violentar a liberdade dele e tem que estar bem assentado sobre a tolerância. Se nós conseguirmos esse amálgama, que é alquímico, encontramos ali o equilíbrio do fio da navalha. Porque realmente é um equilíbrio sobre um caminho muito estreito. Uma brisa faz com que você se incline para um lado, para o extremismo da intolerância, da disciplina que tem que ser cumprida a todo custo, ou para o outro lado, da tolerância excessiva, da complacência com a falha.
Sua Cultura trabalha, por outro lado, sobre os extremos. Nós devemos trabalhar sobre aquilo que são as nossas dificuldades, os pontos menos bons, ou os pontos que são mais positivos?
Não sei se eu colocaria dessa forma, porque colocando assim nós, de uma certa forma, cristianizamos um pouco esse conceito, exacerbando a noção do bem e do mal. E a nossa proposta é a de que tenhamos sempre a consciência de que bem e mal são sempre relativos. “Você está fazendo errado.” Mas errado em relação a quê? Com relação a que momento? Richelieu disse, certa vez, que ser ou não ser um traidor é uma questão de datas. É um pouco isso, a respeito do certo e do errado. Em que sociedade, em que religião isto é certo ou isto é errado? Você entra numa igreja católica e tira o chapéu em sinal de respeito. Aí você entra numa sinagoga e coloca-o, em sinal de respeito. Eu me lembro de que uma vez nós fomos visitar um templo sikh, na Índia, e eles pediram para cobrirmos a cabeça. Até a câmera que eles mesmos usavam para gravar o ritual, era coberta em sinal de respeito, com um tecido branco. Conclui-se, portanto, que tudo é convenção. E nós temos que estar conscientes disso cada vez que nos deixarmos conduzir, dentro da tradição que recebemos, que é a do bem e do mal. “Este é o seu lado mau”. “Isto foi um erro cometido”. Talvez, observando sob outra ótica, não seja bem assim. É melhor considerar: isto talvez não tenha sido conveniente, neste momento, ou neste grupo. Não que seja mau, ou que seja errado. Outro sútra diz que mal é o nome que se dá à semente do bem. Porque tudo o que você passou na vida de “mal” ou de “mau”, você pode observar que, em seguida (ou já, ou logo depois), produziu um fruto muito bom.
Realizando a lucidez do cidadão consciente, o indivíduo lúcido, na viagem para o estado de hiperlucidez, esse sujeito tem que ter uma visão para onde caminha. Como quem vai fazer uma corrida de fundo, ele tem que saber, para se automotivar, para onde ele caminha. A Sua Cultura, como é que o impregna desse sentido objetivo?
Nós procuramos ver como se fosse uma viagem linda que você está fazendo de trem e que sabe que o percurso conduz a um determinado destino. Mas você olha a bela paisagem do lado de fora, conversa com um amigo do lado de dentro, vai até o vagão restaurante, delicia-se com uma comidinha, recosta, dorme um pouco. Você usufrui. Você desfruta do prazer da viagem. E, assim, chega mais rápido. E se o indivíduo ficar só pensando: “eu tenho que chegar; o meu destino, o meu destino, o meu destino”. A viagem fica desagradável e parece mais longa. Com relação à nossa meta, a recomendação é: não se preocupe com a meta. Vamos desfrutar a comunidade, as pessoas. As pessoas que, em geral, seguem este sistema, são pessoas interessantes, são pessoas bonitas, por dentro e por fora, são pessoas educadas, sensíveis, que têm assunto para conversar com qualquer interlocutor.
No entanto, quando nós vemos, por exemplo, uma sociedade conservadora que, vamos imaginar, por exemplo, defende que a mulher deve ter um papel na sociedade, que deve viver para o marido, para os filhos, para as aparências, o estado de lucidez permite a ela derrubar essa fronteira. A sociedade conservadora não hostiliza imediatamente essa lucidez?
Não, porque nós não criticamos a postura tradicional em muitas sociedades hoje vigentes no mundo. E como a Nossa Filosofia não tem intenção de catequizar, não é uma coisa que queira se expandir e, enfim, tomar simpatizantes de outros sistemas filosóficos, muito menos dos religiosos. Por esse motivo, nunca houve uma reação negativa, nunca houve uma oposição com relação a esta proposta.
Mas pode haver no âmbito das células familiares. Por exemplo, se eu desconheço determinada luz, sinto-me perdido no meu túnel de sombra e, de repente, aparece uma luz no fundo desse corredor, que pode ser, suponhamos, a Sua Proposta, e eu, de repente, passo a caminhar com outro alento nessa direção. E se o túnel de sombra é criado pela estrutura conservadora que a sociedade foi montando à minha volta, eu torno-me rebelde. Pelo menos caminho numa direção oposta. Essa cisão não cria anticorpos?
Quando num casal, numa estrutura familiar, um dos dois cônjuges adota esta filosofia e o outro não, eventualmente, pode ocorrer inicialmente alguma dificuldade de comunicação, como se só um dos dois adotasse um partido político, diferente do do outro cônjuge, ou um time desportivo, contrário ao time do outro cônjuge. Isso pode gerar um atrito momentâneo, caso não se verifique uma atitude de compreensão, carinho e respeito. Se você evoluiu, se adotou uma filosofia que tem pretensão a uma evolução maior, uma civilidade maior, uma lucidez maior, quem mudou foi você. Porque os dois se casaram dentro de uma determinada visão que um tinha do outro, e cada qual gostava do outro como ele era. Criaram-se regras e você mudou as regras do jogo, no meio do jogo. Quem está errado não é o cônjuge, que está reagindo mal. Então, você precisa ter mais paciência, tem que ter mais tolerância, deve tentar içá-lo, sem forçá-lo a isso. Talvez consiga incentivá-lo a adotar o mesmo estilo de vida através do exemplo, pela sua forma de agir, mostrando que hoje você é uma pessoa muito melhor para ele ou para ela.
E se a outra pessoa preferir viver em outro tipo de referências. Por exemplo, quiser viver para as aparências e não para o conteúdo do bolo?
Tem sido raro. O que nós temos observado, é que se houver o processo que eu mencionei, de tolerância, de paciência e de carinho, cativando a outra pessoa ao invés de cobrar dela uma postura, o cônjuge, geralmente, acompanha. Porque ele gosta do que ele está vendo. Seja marido, seja mulher, nota que o outro melhorou. Melhorou como pai ou mãe, melhorou como marido ou esposa, melhorou como amante, melhorou como companheiro, como amigo. Então, em geral, ele ou ela acaba aceitando de bom grado e adotando a mesma filosofia de vida.
No “Encontro com o Mestre”, o pós-imberbe DeRose encontra-se com o DeRose já maduro, já consciente. O que é que o Mestre já consciente diria hoje ao DeRose pós-imberbe? Seria a mesma coisa que disse no livro?
Iria resultar no mesmo desencontro que eu expus no livro, porque ali era o autor com 58 anos, conversando com ele mesmo aos 18. Foi uma ficção, em que o DeRose de 18 anos aparece na vida do DeRose de 58. Ele, então, discorda, discute, debate. Ele diz: “não pode ser assim; eu não concordo com isso; isto não pode ser”. E o diálogo entre os dois, entre o jovem idealista de 18 e o homem experiente de 58, pretende dar ao leitor um equilíbrio entre as duas opiniões, porque muitos dos nossos leitores têm 18, 20, 25, 30, e outros têm 50, 60, 70, 80. São dois universos completamente diferentes e o livro procura casar esses dois universos, mostrando que ambos estão corretos, que tudo é uma questão de perspectiva.
Os dois equilibram-se? São uma mesma coisa? São dois olhares sobre a mesma coisa? Ou um é uma evolução sobre o outro?
Eu diria que, na verdade, os dois têm seus preconceitos, seus pré-conceitos. Ambos discriminam e ambos procuram não discriminar. Ambos tentam não ter preconceitos e aí, o mais velho aprende com o mais novo, e o mais novo aprende com o mais velho.
Nós tendemos a acrescentar na diferença. Normalmente as pessoas lidam muito mal com o que lhes é diferente, defendem-se, rejeitam, oprimem, suprimem, em vez de somarem-se na diferença.
Essas diferenças são muito importantes. Se todos os meus amigos só me fizessem elogios, eu estaria cercado por bajuladores, como alguns monarcas no passado e alguns empresários hoje. O que eu vou aprender com isso? Vou estar errando e todos vão dizer que estou acertando. Não vão me ajudar em nada. Mas quanto aos meus críticos de plantão, quando eu ainda nem tiver chegado a errar e eles já estarão me apontando o dedo. Quem estará me ajudando mais? Quem estará me ajudando mais é aquele que se considera inimigo, mas que, na verdade, é mais eficiente do que os meus amigos ao promover o meu crescimento, porque me mostra o lado sombrio do que eu estou cometendo ou do que estou prestes a cometer. Ele aponta o erro e eu posso corrigi-lo. Sempre comparo o amigo e o inimigo a uma árvore, em que as raízes, que estão nas trevas, que crescem para baixo, são os inimigos, porque estão nas trevas, mas sem os quais a árvore não fica em pé. A árvore precisa das raízes e os inimigos são as raízes. Já os amigos são as flores, são os frutos lindos, maravilhosos, mas sem as raízes, não existiriam.
O senhor, neste outro livro que acabou de ser lançado em Lisboa, dá logo o exemplo até na dedicatória da obra, porque dedica não só a pessoas que o senhor admira pela luz, mas também por uma pessoa em particular, que o obrigou… Pode nos falar um pouco disso?
Há pessoas que, às vezes, por implicância, até por não conhecer bem o outro lado, a outra verdade, atacam, difamam, agridem, injuriam, excluem. Você pode se considerar um perseguido, injustiçado, pode se considerar uma pessoa infeliz, pode ficar ressentido. Ou pode perceber, numa visão de grande angular, que aquilo ali foi extremamente importante e você pode ser grato àquela pessoa. Mas com sinceridade. Não adianta ser grato com hipocrisia. Obviamente, tem que ser uma atitude autêntica. E ali na dedicatória do meu livro sou muito sincero. Se o referido senhor não tivesse desencadeado toda aquela implicância, que ainda ocorre hoje, e não tivesse gerado todo um fã clube dele contra o nosso trabalho, hoje nossa obra seria imperceptível. O cristianismo só ficou conhecido porque foi perseguido, senão teria sido uma pequena seita judaica que teria desaparecido logo depois. Mas a perseguição deu visibilidade e, a partir daí, pessoas que concordavam com aquele ponto de vista, puderam conhecê-lo, fortalecer suas fileiras e fizeram com que se perenizasse.
Isso não é o que nós entendemos ou que a Sua Cultura descreve como ahimsá? Não é o trocar o fel por mel, é algo muito mais profundo?
Nossa Cultura propõe um conceito de não-agressão ativa e jamais passiva. Se você tiver maturidade e autoestima, tem condições de compreender que determinada pessoa está sendo agressiva porque ela tem medo. Uma pessoa é agressiva quando teme.
Se aqui entrar a Jaya, que é minha weimaraner, um cão de grande porte, abanando o rabinho, nós vamos dizer: “que bonitinha, vem cá, deixe-me fazer um carinho.” Mas, se entrar aqui, rosnando, mostrando os dentes, você logo diz: “tira esse bicho daqui senão eu dou uma pedrada nele.” Por que você ficou agressivo? Ficou agressivo porque sentiu medo. E assim é em todas as situações. Se você prestar atenção, analisar com imparcialidade, vai notar que, em todos os momentos nos quais uma pessoa ficou agressiva foi porque ela sentiu medo, sentiu-se ameaçada, entrou em defensiva. Algumas pessoas são assim o tempo todo porque o mundo lhes parece ameaçador.
Se alguém lhe for agressivo, você pode, ou ter uma reação imatura, que é: foi agressivo comigo, devolvo-lhe agressividade e meia. Ou pode ter uma reação ponderada, de pessoa que tem elevada autoestima e que tem maturidade. Se foi agressivo comigo, eu tenho que compreender que você se sentiu agredido por mim, mas eu não tive a intenção de agredi-lo; você se sentiu ameaçado por mim, mas eu não tive a intenção de ameaçá-lo; você talvez tenha tido um péssimo dia; talvez tenha um péssimo casamento; não sei, talvez tenha dificuldades, problemas na sua vida. E eu vou devolver mais agressividade? Isso não vai me ajudar. Não vai ajudar a nossa relação, quer seja uma relação de negócios, se for uma relação de amizade, não importa o quê. Devolver agressividade é tentar combater o ódio com mais ódio. Tentar combater fogo com gasolina. Essa atitude não ajuda.
Eu gostei muito da sua frase “devolver fel com mel”. É interessante, é mais ou menos isso. Porque se a pessoa agrediu e você lhe retribui com um sorriso, um sorriso sincero, aquela agressividade se reduz. Reduz-se drasticamente.
Lembro-me de uma situação em que houve encontro de duas linhas filosóficas de nomes quase idênticos, mas que são antagônicas. Nesse encontro, entre as duas filosofias, uma senhora, professora da outra linha veio caminhando na minha direção, com o dedo em riste e disse: “DeRose, você isso, você aquilo!” E começou a me insultar em altos brados, com a intenção assumida de que todos escutassem. Imagine a cena kafqueana: ela era professora de uma filosofia que prega o equilíbrio, a não-agressão e o autocontrole, insultando e agredindo outro professor, só por ser linha diferente! Todos pararam para ver qual seria a minha reação. “Será que tudo isso que ele diz, afinal é mentira? Como será que ele vai reagir? Ele vai dizer umas boas a essa senhora? Vai gritar com ela? Talvez agredi-la? Vai virar-lhe as costas e sair andando como um mal educado? Ou vai ficar parado ouvindo, passivamente, deixando que ela agrida, fale, fale, fale, insulte, insulte, insulte? Qual será a reação?”
A reação foi: agarrei a senhora, abracei-a fortemente e quando eu a soltei, ela já não tinha mais agressão alguma, não tinha insulto algum para dizer. Quando eu a soltei, ela olhou para mim e disse: “Ah! DeRose, você, hein?” Pronto, tirou o fel com o mel do abraço, sem dar a outra face, sem ficar passivamente escutando as agressões dela e sem devolver as agressões o que, afinal, não ajudaria nada a minha relação com ela, não ajudaria nada minha imagem com os outros que estavam assistindo. E também não me ajudaria comigo mesmo, porque naquela noite eu não teria dormido tão bem.
Isso pressupõe o tal indivíduo que a Sua Cultura, o Método DeRose, pretende esculpir, do tal indivíduo lúcido, que se apercebe de uma forma como quem vê um filme o que está a acontecer a sua volta, e reage de uma forma atuante, consciente e lúcida, e não de uma forma primária.
Exatamente. Vamos trazer isso para a realidade de um casal, de um casamento, enfim, qualquer relacionamento afetivo. Em um casal, ambos sabem exatamente qual é a fisionomia, qual é o tom de voz e qual é a frase que irrita o outro. Sabem perfeitamente, pois vivem juntos. E num conflito de casal se este disse aquela palavra ou fez aquela cara, o outro sabe exatamente qual é a fisionomia, qual é o tom de voz e qual é a palavra que vai agradá-lo, que vai atenuar aquela situação. Mas por que não diz? “Porque eu não vou me dobrar, não vou ceder, senão o outro pisa em mim.”
Depende da sua atitude, ao dar essa palavra para interromper o conflito conjugal que pode surgir ali. E depois estabelecer limites. Se essa relação pode ser mantida, ela vai ser mantida com respeito, com consideração, com carinho, com companheirismo. Se não puder ser mantida, é uma pena. Porque toda relação que se rompe tem um custo emocional muito caro, um custo sobre a saúde muito alto. Mas, paciência. Há um momento mágico em que as relações precisam mesmo terminar porque, nesse caso, os protagonistas terminam o relacionamento como amigos. E se ultrapassar o momento mágico e as pessoas insistirem que tem que permanecer juntas, talvez na hora em que mudarem o status quo, rompam como inimigos, com ressentimentos.
Às vezes, é apenas a questão de “hoje eu cedo e amanhã a outra pessoa vai ceder”. Porque há uma reciprocidade natural entre os seres humanos. Quando você tem uma atitude cavalheiresca, uma atitude fidalga com relação a uma pessoa, mesmo que íntima, mesmo que seja um irmão, mesmo que seja um cônjuge, a tendência é que o outro reaja de uma forma semelhante numa circunstância imediata ou futura. Certa vez, um amigo meu estava dirigindo e conduzia muito mal. Fez uma conversão péssima e o outro motorista quase abalroou o carro dele, pôs a cabeça para fora e já ia dizer uns impropérios. Esse meu amigo abriu-lhe um sorriso muito simpático, como quem diz: desculpe, eu errei. O outro motorista botou a cabeça para dentro e disse: “vai, meu filho, vai!” E não deu briga. O que evitou o confronto? Foi só um sorriso.
A importância do indivíduo mais consciente, mais lúcido, mais atuante a todos os níveis. É isso que a Sua Cultura quer relançar dentro da sociedade?
Precisamente. A tendência é colocar um rótulo nessa Cultura. Eu prefiro chamar de Nossa Cultura ou Nosso Sistema, Nossa Filosofia, evitando colocar rótulo. Por que? Porque na hora em que as pessoas colocam rótulos, elas engessam a coisa. E aí começam todas as intolerâncias, até com relação a quem está fora. Uma das confusões que eu procuro corrigir, uma das visões distorcidas, é que a pessoa pratique o Método dentro da sala de aula na qual ela o aprende. Só que ali é para aprender, não é para praticar. É para pôr em prática na vida real.
Por exemplo, se dentro de uma sala de classe, nós ensinamos a respirar corretamente, na hora em que a pessoa sai por aquela porta e vai embora, ela não há de sair respirando errado. Caso contrário, não terá adiantado nada. Ela aprendeu a respirar certo aqui dentro, agora deve sair respirando certo e ir caminhando até o seu carro respirando certo, deve sentar-se e conduzir o veículo, respirando corretamente. Chega ao seu escritório e vai trabalhar, ou chega ao seu ginásio e vai fazer esporte, respirando corretamente. Vai respirar corretamente, de forma mais produtiva, sempre, porque foi isso que aprendeu aqui. Eu usei como exemplo a respiração, contudo, poderia utilizar qualquer outra técnica para ilustrar. Esse conjunto de técnicas e conceitos que o praticante aprende na nossa instituição, ele deve aplicar em todas as situações da vida. Isso é o que nós tentamos explicar, tentamos expor. Que o nosso aluno vai transmitir isso, vai irradiar isso, para toda a sociedade, porque ele vai irradiar para a família, vai irradiar aos amigos, vai reverberar aos seus colegas de trabalho. Então, aquilo vai criando ondas de choque e nossa proposta acaba por contagiar de uma forma positiva todas as pessoas que travam contato com o nosso praticante.
Se o Carl Sagan dizia que a sociedade corrompe o indivíduo, esse efeito impregnador também pode funcionar, e deve, e o senhor pretende que funcione em sentido contrário?
Sabemos que a sociedade influencia o indivíduo. No entanto, o indivíduo também influencia a sociedade.
Se o senhor escrevesse agora não o “Eu me lembro”, mas o “Eu sonho”, que sonho é que se escreveria?
Na verdade, no “Eu me lembro” eu não conseguiria acrescentar mais nada, porque aquele livro me saiu numa arrancada só. Às sete da noite eu comecei a escrever. Às sete da manhã, fui descansar. E pronto, estava terminado.
E o “Eu sonho”, o que é que tinha lá dentro?
Não sei. Há muita coisa! Eu tenho muitos sonhos!
Podemos pegar-lhe por uma ponta, por um pé?
Que eu espero um dia poder expressar.
Mas vê, com certeza. Nós sonhamos que os nossos filhos cresçam num mundo, numa determinada direção. E nós configuramos qual é essa direção. O senhor não “hipotecou”, não investiu 50 anos de investigação, em procura de saberes, sem sentir dentro de si onde é que queria chegar? Onde é que quer chegar?
Eu gostaria de chegar a um ponto em que as pessoas, minimamente, escutassem o que nós temos a dizer. Que nos permitissem falar. Que não nos amordaçassem. Nós temos coisas muito boas para dizer, não propondo um debate, mas propondo uma reflexão. O que ocorre é que os que não gostam do sistema, ou pensam que não gostam, não escutaram. Eles não conversaram comigo, não conversaram conosco, não conheceram a nossa gente, não leram nossos livros. O meu sonho seria poder arrancar essa mordaça.
Eu me sinto sob aquela punição antiga, punição eclesiástica, denominada silêncio obsequioso. “Disse o que não devia, não falará mais.” Não querem que eu fale. Mas você observa que o que eu digo não é polêmico. Não considero polêmico, porque nós não estamos polemizando, nós não estamos discordando dos outros. Não é agressivo, acho que não é, não tenho intenção de que seja. Não quero agredir ninguém. E a proposta é boa, a proposta de boas relações humanas, boas maneiras, boa saúde, boa qualidade de vida, boa cultura, bons hábitos. Nós trabalhamos essencialmente com adultos jovens. Portanto, ao produzir uma juventude saudável, longe das drogas, do álcool e do fumo, se mais nada prestasse no nosso trabalho, pelo menos isso seria uma contribuição a ser reconhecida. Contribuição essa que o nosso trabalho já está há meio século proporcionando à sociedade.
Para nós que de fora visitamos a Sua Cultura, vamos fazer um exercício de flash. A sua visão ou a sua missão aponta para onde? Onde é o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida?
Eu tenho conhecido gente muito interessante, realmente exemplos de seres humanos. Pessoas com quem eu tenho o privilégio de conviver. Algumas há mais de 30 anos, outras há mais de 20 anos, outras que eu estou conhecendo agora, como é o seu caso, e que pra mim constitui um privilégio. Essa profissão nossa, esse nosso ideal, nos permite isso: conhecer pessoas. Nós não somos head hunters, nós somos heart hunters.
Obrigado!
Shiva Natarája: O criador do Yôga na sua forma Rei dos Bailarinos
Shiva Natarája
“Natarája significa rei dos bailarinos. Ele figura no centro de um círculo de fogo, pisoteando o “demônio” da ignorância. Numa de suas mãos, há um pequeno tambor, o damaru, com o qual marca o ritmo do Universo. Seus vários braços sugerem movimento.
Natarája é a manifestação de Shiva envolvido na trama do mundo, integrado à existência de outros seres. É o oposto de Shiva Shankara, isolado nos himalayas em seu ascetismo. Natarája representa aquele que vive, trabalha, luta e atua na sociedade e, ao mesmo tempo, acha-se plenamente consciente da efemeridade nela contida. O yôgin que medita na forma Natarája não precisa retirar-se do mundo para consquistar a meta do Yôga.”
(Trecho extraído do Livro: A força da gratidão (pújá), de Sérgio Santos, fls. 60, 1a Edição, 2006, Editora Nobel).
Segundo ainda o Léxico de Yôga Antigo (SwáSthya Yôga Kôsha), de Lucila Silva, fls. 135, 1a Edição, 2007, DeRose Editora, “Natarája, uma das formas de Shiva: sua dança representa a contínua criação-destruição do Universo. A coreografia de Shiva é o girar do tempo. Existem dois tipos principais da dança de Shiva, com aspectos antagônicos: tándava e lásya.”
“Tándava é a dança feroz e violenta, representando a manifestação coléria de Shiva em sua forma Natarája, em contraposição a lásya, a dança lírica e suave, cheia de doçura, representando as emoções da ternura e do amor.” (Op. citada, fls. 204).

“Só posso crer num deus que saiba dançar”. (Friedrich Wilhelm Nietzsche)
DeRose é outra coisa!!!!

Não queremos dar entrevistas sobre Yôga
Autor: DeRose
A linguagem foi criada para conseguir a boa comunicação entre os seres humanos. A partir do momento em que ela não sirva para essa comunicação ou, até mesmo, cause mal-entendidos, tal linguagem precisa ser repensada.
Quando nós expressamos o vocábulo “Yôga”, o interlocutor já começa a embaralhar “o Yôga” com “a Yôga”. Dali a pouco ele já evolui para “a ióga”. Com o nome, já começam as discrepâncias. (Explicação: é que há muitos instrutores que o pronunciam de diferentes formas e que o interpretam de maneiras divergentes.)
O debatedor questiona o gênero da palavra, a pronúncia e a escrita. Como se isso já não fosse confusão suficiente, na sequência passa a associar o que fazemos com algo completamente diferente e até mesmo antagônico àquilo sobre o que estamos querendo explanar. (Explicação: existem 108 tipos de Yôga que são diferentes entre si.)
“Não, meu querido, não precisa de paciência, não, para praticar”, diz você cheio de tolerância, e tem que ouvir: “Como que não? Todo o mundo sabe que a ióga é muito parada…” (Explicação: há algumas modalidades que são realmente paradas.)
“Não, companheiro, não é para tua namorada, não, é a ti que eu estou convidando”, insiste você já com menos paciência, e amarga a resposta: “Ah! Não. A ióga é para mulher.” (Explicação: embora na Índia o Yôga seja uma arte de cavalheiros, no Ocidente, a partir da década de 1960, foi muito difundido para senhoras.)
“Não, meu anjo, não é para idosos, não, é para gente jovem”, diz você disfarçando como pode a irritação que quer explodir num berro de desabafo, e é obrigado a escutar: “Quando eu ficar mais velho e não puder mais fazer esportes de homem, aí, quem sabe?” (Explicação: de fato, o Yôga é para gente jovem, mas alguns ensinantes se especializaram em recursos inspirados no Yôga para aplicar à terceira idade.)
“Não, cara, não é terapia coisíssima nenhuma, é para gente saudável”, diz você visivelmente abalado, e mal consegue deixar que o interlocutor termine a frase: “Como que não, se os professores de ióga divulgam os benefícios para a saúde e alguns até enumeram as doenças que ela cura?” (Explicação: alguns profissionais exploram a eficácia das técnicas, direcionando-as para atenuar problemas de saúde.)
“Não, seu pafúncio, não é uma seita, não, é para pessoas lúcidas e de bom-senso”, diz você já querendo saltar sobre a jugular do outro, e indigna-se ao ouvir: “Como que não é, se eu vejo sempre na televisão e no cinema pessoas que dizem professar a ióga, com roupas exóticas, cantando Harê Krishna; e outras com atitude mística, colocar as mãos em prece e se inclinar para a frente ao mesmo tempo que pronunciam o mantra adamastêr?” (Explicação: de fato, há vertentes que se consideram religião, como é o caso do Harê Krishna e outras.)
É… essa palavra mágica que produz tanto mal-entendido não pode mais ser utilizada para a comunicação com quem não for estudioso da mesma modalidade. Por isso, internamente, prosseguiremos utilizando o termo Yôga, mas para fora, para comunicarmo-nos com amigos, familiares, colegas do escritório, da faculdade, do ginásio, imprensa, conhecidos e desconhecidos, não vamos mais utilizar esse termo.
Quando formos dar entrevistas em rádio, TV, jornais e revistas, o que precisamos a partir de agora é dizer, com muita educação e simpatia, que não queremos falar de Yôga. Que essa palavra não deve constar da entrevista nem uma única vez. Que queremos falar exclusivamente sobre o Método DeRose. Que é uma proposta nova e queremos explicar o que é. (O conteúdo não é novidade alguma. A proposta é que é nova.)
Para tanto, é claro que nenhum press release deve mencionar a palavra Yôga em hipótese alguma.
Mas então, Método DeRose é apenas um outro termo para intitular a mesma coisa? Não.
Método DeRose é outra coisa.
Embora possamos, eventualmente, para encurtar a conversa, declarar que Método DeRose é um método de Yôga, precisamos ter consciência de que essa é uma simplificação e que ela talvez possa ter consequências indesejáveis. Mais para a frente, pode parecer contradição, quando você for dar uma explicação mais exata e mais completa. Na verdade, o Método DeRose é constituído por uma tecedura de conceitos e técnicas, das quais as técnicas (e unicamente as técnicas) são provenientes do Yôga Antigo.
Portanto, Método DeRose não é Yôga. Ao mesmo tempo, utiliza o Yôga como uma de suas ferramentas mais importantes.
Quem deu o nome de Método DeRose? Conforme pode ser constatado em informativos enviados várias vezes nos últimos anos aos instrutores do Método, nós oferecemos nada menos que 30 alternativas para referir-nos a ele. Algumas delas são: a Nossa Cultura; a nossa proposta; o nosso método; a nossa filosofia; nosso movimento cultural, reeducação comportamental, life style coaching etc.
Quem deu o nome Método DeRose foram os alunos e instrutores que vieram utilizando tal referência durante décadas, até que finalmente, comemorando cinquenta anos de ensino, aceitamos utilizar essa nomenclatura.
Quem cunhou a frase: “Método DeRose é outra coisa”? Curiosamente, foram os que ensinam outras modalidades de Yôga, a fim de distinguir que o nosso Método é, de fato, diferente. Nem melhor, nem pior. É “outra coisa”. Interessante, porque quem cunhou o termo impressionismo fora justamente um crítico de arte, opositor ferrenho à pintura de Monet e usara aquele termo com intenção depreciativa. Pois acabou por produzir o efeito contrário e foi quem desencadeou a fama desse ilustre pintor.
No nosso caso, ficou claro que a intenção dos colegas de outras linhas ao nos classificar como “outra coisa” era de boa-fé quando uma aluna, casada com um editor inglês, sugeriu que ele publicasse um livro de Yôga e ele se recusou de forma categórica. Quando a esposa disse que propusera a edição porque estava praticando o nosso Método, o marido respondeu inusitadamente: “Ah! DeRose eu publico.” Ela questionou: “Por que Yôga não e DeRose sim?” E veio a resposta histórica: “DeRose é outra coisa.”
Então, está bem. Estamos convencidos. Se todos são unânimes em declarar que DeRose é outra coisa, nós simplesmente acatamos a vox populi. Esperamos que seja a vox Dei.
Post publicado no site http://www.uni-yoga.org/blogdoderose/ nesta terça-feira, dia 29 de Setembro de 2009.
Assista a entrevista de 1h com DeRose gravada na Europa em 2009:
http://www.uni-yoga.org/entrevista_derose_tv.php








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